Muita coisa mudou no Santos desde o final do primeiro turno. O comando técnico e o esquema tático foram trocados. O time saiu da zona do rebaixamento e a torcida voltou a ficar em paz com o clube.
Uma outra alteração também foi percebida pelos atletas: o fim dos treinos coletivos. Desde que assumiu a equipe, há um mês, o técnico Márcio Fernandes não fez nenhuma vez um treinamento desse tipo.
Para o comandante santista, o problema da equipe era de posicionamento. "Há trabalhos mais adequados para se consertar essa deficiência", disse.
Sem os tradicionais coletivos, o elenco tem se concentrado em finalizações, treinos físicos e de posicionamento. "Além disso, nosso elenco é grande. Tenho 35 jogadores. Faço um coletivo, uso 22 jogadores. E o que faço com o resto?", pergunta o treinador, que às vezes opta pelo "treino alemão" - três times, com 11 jogadores cada, jogam em meio campo dotado de três gols.
"Todos os técnicos com quem eu trabalhei faziam [coletivo]. Para mim, tanto faz ter ou não. O importante é que o trabalho está dando resultado", avalia o volante Bida.
O zagueiro Fabiano Eller, que diz também não gostar do tradicional treinamento, apoia a opção do treinador. "Normalmente o técnico só olha para o time titular no coletivo. E o reserva fica desarrumado. Você vê volante jogando no ataque, jogadores improvisados. O que não simula uma partida."
A avaliação dos santistas é que, sob o novo comando, a equipe tem jogado de forma simples e isso tem dado resultado. "Todo jogador sabe jogar no 4-4-2", diz Eller, que considera que o elenco não estava preparado para executar o esquema que o ex-treinador (Cuca) tentou implementar.
Na base da conversa e com um programa de computador, Márcio Fernandes explica para os atletas como quer o time jogando. O método fez efeito. O time, que sofria em média 1,7 gols por jogo antes de sua chegada, passou a tomar menos de um gol (0,6) por partida.
"Os jogadores têm se concentrado e cumprido com o que é combinado", costuma dizer o treinador, que tem como lema mudar pouco a equipe.
Com o antecessor, Cuca, o time alternou esquemas táticos (3-5-2, 4-4-2 e 3-6-1). Antes da partida contra o Atlético-MG, em casa, a assessoria do treinador distribuiu à imprensa uma folha simulando uma mesa de jogo de botão com a escalação.
Cada jogador tinha setas sinalizando a função que exerceriam em campo. Alguns deveriam alternar posições durante o jogo. O time perdeu (3 a 2) e Cuca deixou a equipe. No domingo, o ex-treinador santista retorna à Vila Belmiro, agora no comando do Fluminense.
Apesar de todas as mudanças nas últimas semanas, um "ritual" será seguido pelo Santos na véspera do jogo de domingo: o popular rachão, que inclui a presença de membros da comissão técnica, está mantido.
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